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Obsessão poética

Me apaixonei perdidamente por uma poesia. Primeiro a conheci por acaso, ela se encontrava vestida singelamente num canto da livraria onde eu costumava frequentar... passei a voltar lá todos os dias para revê-la, cada dia com uma desculpa mais absurda. À noite, sonhava com ela, acordava suado e só sossegava com um banho de água fria. E ela tomava conta da minha vida gradativamente... até que, cego na minha obsessão, tirei-a daquela livraria e levei-a para minha casa. Possuí-a ali mesmo, numa ânsia desesperada, querendo trazê-la para dentro de mim... A partir daí não fazia mais nada se ela não estivesse comigo. Passei a levá-la em todos os lugares e apresentá-la aos meus amigos. Entretanto, quando notei que alguns se interessavam por ela, meu coração, em vez de sangue, jorrava fel nas minhas veias, e passei a escondê-la em locais sempre mais excêntricos, de modo que só eu a visse. Comecei a frequentar todas as livrarias e bancas onde ela poderia estar, entre um copo de cer...

Enquanto minha mão tremer

Enquanto minha mão tremer... e arrastar lapsos em colapsos construir fins de mundos sem rastros chover desertos em oásis... ... Enquanto minha mão tremer... e quebrar em mar raivoso o horizonte tingir vermelho o céu defronte cantar sinfonias em agudo dó... ... Enquanto arranha o quadro-negro em meu ouvido arranca sangue, quadro-alma, com som frio enquanto isso, sangue-tinta, vermelho,vivo brota dor, brota conforto se treme, escribo.

Adão

Assim, à imagem e semelhança de Deus, gostava de ser o centro das atenções.

Dialético

Que te importa que eu tropece, que bata os punhos na porta que exporta, que expurga ladainha negra, lodosa que te importa,que te importa se tuas classicas teorias claras na sua cabeça sem vida expliquem o que não me implica. Batem no meu peito protegido de loucura e se quebram na mais vã... e se quebram e não mais vão... Não aparece o que em mim perece parece... só que padece.

Catulo

Minha princesa de letras de densidade de sonho holograma de ideias Minha dama de bruma pairando sobre minhas fantasias com seus olhos de lua acaricia as ilusões minhas Sua carne sinto quando me toco você geme sobre minha voz e escorre os limites do meu foco o universo explode desfazendo nós. Me enrosco em mim sabendo que te abraço e durmo um sono embaçado enquanto você me envolve com palavras de ocaso.

Escrevo?

Escrevo? Duvido. Arranho as costas da alma tiro sangue a unha beijo as feridas abertas e deixo as marcas de sangue no papel. Escrevo? Duvido. Não consigo esconder a vida que pula nas minhas enxaquecas e me faz tremer de prazer no negro, no ócio, no nada. Escrevo. Duvido? Meu mundo é quadrado, branco e pequeno meu infinito de combinações no meu .

Mal-parecer da civilização

Seu sorriso ácido no fundo da minha garganta minha resignação tácita minha cabeça que não levanta Formosura sem forma pedestal de ossatura humana Ainda assim todo mundo ama Mia querida (,) amiga Ana