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Mostrando postagens de Janeiro, 2012

Theo

A eternidade
e um dia atropelada
por uma moto sem data
sangrando jaz no meio
dessas estradas poluidas
de políticas e de ruídos
inaudíveis
estorvando a música doce
que nunca se verá completa...

O último poente que cai vermelho
em lágrima solitária entenebrece
em abraço para o nada
e todos os dias.

Infância

... e seria uma tarde como outra qualquer se os dias não lhe fossem tão mágicos. Olhava pela janela a sutileza de Morfeu estendendo seu mando no céu, para fazê-lo da mesma maneira em seu quarto que não era um quarto do mundo senão o mundo e mais um quarto. Através do verbo Criador, tecia gravemente, como convém a um deus, ponto a ponto, linha a linha, a colcha de um planeta que não necessitava de sete dias para ser criado.
Mais generosa, ainda, povoava seu paraíso de infinitas invenções de pessoas, com direito, inclusive, ao livre-arbítrio que elas mereciam. Mais humilde, certamente, vivia no meio delas, nem melhor nem pior, nem mais densa ou menos densa. Talvez menos...
E o tempo, seu amigo violinista, se desenlaçava em diferentes sinfonias de tons coloridos, muito bem contorneadas de Sol Maior. Nesta tarde, saindo do seu quarto, coisa que quase não fazia, na sala jazia a prima por debaixo de um menino que lhe subia a saia com a naturalidade de quem há muito o fazia; a mesma natural…

No fundo seus olhos

No fundo seus olhos
o improvável meneia as saias
que agita venenos
nos meus pensamentos

...

e por que tão verdes
essas esperanças voando
alheiamente ao nada?

Cadência

ventana cerrada
lágrima solitaria
interminable invierno