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Mostrando postagens de Junho, 2008

Obsessão poética

Me apaixonei perdidamente por uma poesia.

Primeiro a conheci por acaso, ela se encontrava vestida singelamente num canto da livraria onde eu costumava frequentar... passei a voltar lá todos os dias para revê-la, cada dia com uma desculpa mais absurda. À noite, sonhava com ela, acordava suado e só sossegava com um banho de água fria. E ela tomava conta da minha vida gradativamente... até que, cego na minha obsessão, tirei-a daquela livraria e levei-a para minha casa. Possuí-a ali mesmo, numa ânsia desesperada, querendo trazê-la para dentro de mim...
A partir daí não fazia mais nada se ela não estivesse comigo.
Passei a levá-la em todos os lugares e apresentá-la aos meus amigos. Entretanto, quando notei que alguns se interessavam por ela, meu coração, em vez de sangue, jorrava fel nas minhas veias, e passei a escondê-la em locais sempre mais excêntricos, de modo que só eu a visse. Comecei a frequentar todas as livrarias e bancas onde ela poderia estar, entre um copo de cerve…

Enquanto minha mão tremer

Enquanto minha mão tremer...
e arrastar lapsos em colapsos
construir fins de mundos sem rastros
chover desertos em oásis...
...

Enquanto minha mão tremer...
e quebrar em mar raivoso o horizonte
tingir vermelho o céu defronte
cantar sinfonias em agudo dó...

...

Enquanto arranha o quadro-negro em meu ouvido
arranca sangue, quadro-alma, com som frio
enquanto isso, sangue-tinta, vermelho,vivo
brota dor, brota conforto

se treme, escribo.

Adão

Assim, à imagem e semelhança de Deus,
gostava de ser o centro das atenções.