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Acidente

Ah, menino, por entre as sombras e os sonhos o feixe de luz oscilante por entre as fendas camaleonicas o sorriso desenhado a face que te beija o rosto o deus que te sorri em criança. Para explosão em vermelho vivo do transborde dos rios azuis o mesmo deus que alimenta é o deus abissal devorador de futuros e esperanças. Abra os olhos nas entranhas do animal, meu pequeno, e descubra o caminho de volta. Os mesmos braços doídos continuam estendidos os feixes trepidantes mesmo vacilantes continuarão brilhando pra te orientar o caminho.

Café

Quero um poema-capuccino 12 onças, por favor sem açúcar nem acompanhamento... Só para tingir de negro esse céu gris que vejo afora e levo adentro. São 4,70 de um instante sem tempo... E os carros que passam os sinais que dizem as pessoas que falam uma película absurda sob esse céu gris de cimento que vejo afora e levo adentro,

Comadres

- E esse menino, por que tão diabético descompensado desnutrido? - Ah, culpa da Disney. - Empregadas...

Theo

A eternidade e um dia atropelada por uma moto sem data sangrando jaz no meio dessas estradas poluidas de políticas e de ruídos inaudíveis estorvando a música doce que nunca se verá completa... O último poente que cai vermelho em lágrima solitária entenebrece em abraço para o nada e todos os dias.

Infância

... e seria uma tarde como outra qualquer se os dias não lhe fossem tão mágicos. Olhava pela janela a sutileza de Morfeu estendendo seu mando no céu, para fazê-lo da mesma maneira em seu quarto que não era um quarto do mundo senão o mundo e mais um quarto. Através do verbo Criador, tecia gravemente, como convém a um deus, ponto a ponto, linha a linha, a colcha de um planeta que não necessitava de sete dias para ser criado. Mais generosa, ainda, povoava seu paraíso de infinitas invenções de pessoas, com direito, inclusive, ao livre-arbítrio que elas mereciam. Mais humilde, certamente, vivia no meio delas, nem melhor nem pior, nem mais densa ou menos densa. Talvez menos... E o tempo, seu amigo violinista, se desenlaçava em diferentes sinfonias de tons coloridos, muito bem contorneadas de Sol Maior. Nesta tarde, saindo do seu quarto, coisa que quase não fazia, na sala jazia a prima por debaixo de um menino que lhe subia a saia com a naturalidade de quem há muito o fazia; a mesm...

No fundo seus olhos

No fundo seus olhos o improvável meneia as saias que agita venenos nos meus pensamentos ... e por que tão verdes essas esperanças voando alheiamente ao nada?

Cadência

ventana cerrada lágrima solitaria interminable invierno