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Para os que ficam

Seguimos pegadas deixadas sobre o concreto. Seguimos, seguimos... Que pegadas imaginadas, doídas... Com fé que engolimos com força porque é o único que nos resta. Seguimos a marca que esfria que desenha os párpados cansados. Marca da esperança que açoita seguimos as marcas que marcam que marcas?

Clube da lua

Os pequenos espaços denunciam as grandes distâncias... No meu clube da lua permitido infinito 3x4 não há espaço pra você ou qualquer outro que pese mais que uma ideia.

Delicadezas

O que são essas palavras doces carregadas por braços de aço cruzando limites ferindo o ego? O que são essas sílabas claras que transbordam sussurros aquém do abismo anterior todas as perguntas...?  Eu nunca saberia porque os braços trabalham cegamente, as mãos agitam a água que tocam, os dedos lastimam o cálice sagrado.  Eu nunca saberia parar os pés que marcham como se um dia após o outro fosse uma grande vitória.

Ciência ficção

Será apenas um jogo.  O letreiro em bytes mordiam nossos olhos em néon . Novos começos, novos mundos, a tela em branco. Será apenas um jogo.  Casas de dados que se erguem pessoas prontas que nascem deixando-se aos montes do túmulo do presente porque o hoje é o amanhã e chegamos ao borde do pós-abismo.   É apenas um jogo.  As animas sugadas por cabos de energias ligados a um computador maior que nós agora em comunhão com o deus ex Deus que sorri eletricidades ostentando seus dentes regulares de equações quânticas.    É apenas um jogo.  O verbo que se fez carne se desintegrou em código e se fez imagem da carne tornando as distâncias maiores ainda.   Seria apenas um jogo.   Se a guerra real pelos territórios imaginados não tivesse vindo se o poder não fosse reclamado à moeda se a loteria da babilônia não nos tivesse asfixiado em suas combinações impensáveis e por isso abomináveis.   Era...

Jorn

Cai uma gota de leite obliqua como um suspiro um vislumbre, um segundo...débil está a dissolver-se no abismo.

æmetta

o vazio impulsado nas veias ritmicamente gradativo sorri corrosões e ausencias dobrando exclamações titânicas e a bíblia visivel à mesa deixando a inveja entre dentes a mão tremenda de medo os olhos brilhando em loucura debaixo de um sol enfermo.

Parada

, e então ela passou - um pedaço do incontável - ou fui eu que passei?... Sussurrando sempre suave ao meus ouvidos, em perfeira harmonia com o que eu quis quando sabia querer. Não é isso o verdadeiro amor? Tinha nos olhos as compreensões mais harmônicas dosadas com aquela tristeza sensual em sorriso de Gioconda dançando atrás de cortinas e cortinas. E tive três minutos da mais clara felicidade esquecida no canto do ônibus, com a alma voltada para fora, projetada em janelas para o impossível real de uma ideia não pensada. E então ela saiu das minhas vistas, parada no momento que eu não consegui guardar .E. No vazio deixado pela sua presença as coisas foram caindo outra vez no lugar, pouco a pouco, passo a passo, cinzentas e mudas, estridentemente confortáveis como desde sempre.