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De lírios

A flor clandestina que brota na pele de amantes de botecos de esquina Em suores que pulsam ritmados pululando pus de vazios insaciáveis Em abismos que soluçam em luz de todas as cores. E doçura em violência escorre como caldo cromado pelas pontas das estrelas. São nossos delírios... dependentes químicos fictícios .

Ruínas

Ruído delgado de chumbo roído de vento que espraia... Ah, não, meu Deus, são sonhos!, moídos, moídos e mais nada. E os dedos denunciadores escondidos Por detrás de enunciados escorregadios. cortinas ilusórias e vadias pano lodoso refletindo inútil um dia... Ah, possibilidade latente da metafísica Deus com o meu vestido franjado de infinito Deus com minha coroa de estrelas inequívocas Caminho de rosas vermelhas... e frias. Enquanto em música desesperada, essa chuva de horas cai torrencialmente no meu telhado! Então caia, caia até que não haja mais nada pra cair Até que não haja sol pra sair , até que saia a cor do céu... até que... até... Porque a cruz é grande Ainda que a sombra seja pequena pequena... Arre, só me deixa em paz com meus tormentos amadores paredes companhias da minha casa dissabores .

Unicentro krra 10 y 15

Que à primeira vista fez meu tédio escorrer arranhando meus olhos. Não tinha sequer a companhia macia do sossego velando minhas confusões a caminho do trabalho. Subiu arrastando as pernas batidas deixando um rastro de pó sinuoso na passarela. As mãos vazias verdes violentados. Era cantor de boleros, e sua voz entrou quebrada aos meus ouvidos, o que me fez um ponto de interrogação cubista no semblante. Mas antes que eu pudesse desfazer-me, ele se desnudou em nossa frente, espectro inevitável da angústia, morta viva que se recusava a morrer. Sua voz eram raízes escuras que jamais chegariam à superfície, à luz de plástico e espuma, e, coicidentemente, nesse momento rodeávamos uma praça de árvores vermelhas artificiais. Era um filme rodado pelo absurdo. Ele pedia o beijo de uma niña, como quem pedia o beijo ardente da morte fria para fazer parte de algo, mesmo que o algo seja o não seja. Cantava lágrimas pesadas de tristeza, turvas dos machucados da vida, mãe e inimiga, se equilibrando rid...

VII

Pescando o momento lanço rede no escuro pesco peixe-luz.

Evocações

Um tapete de possibilidades estendido sobre manhãs consecutivas de vogais abertas. Cheiro de algodão das vozes de minha mãe e de meu pai. Gosto de café. Gritos finos compridos com cores de bala da sorte. Noite de lua nua povoada de amigos verdadeiros inventados. O mundo, Ying yang de tons contentes... Para a vida: eu. Para a morte: Deus. E o céu e a eternidade, certezas de músculos e sangue feitas pelo sol que me batia direto nos olhos. Eu era feliz e nada estava morto.

É o céu que muda de lado...

É o ceu que muda de lado a lua um vômito no vaso a metafisica entalada na garganta sai nao sai nao sai vontades verdes veladas por vistas gris de geladas Deus em janela cerrada? Sei nao sei nao sei Tropêço no tapete estropiado Cortina cortante revelando esfolados é Tudo que gira em ritmo alucinado por detras dos abismos... olhos parados

VII

Los apresurados pasos gotean la calle lluvia de ruidos.