20 de setembro de 2008

Foice

Que seja poesia
as contruções de areia do fim dos tempos
á água salgada em que se banha os lamentos
o manto de neve que envolve os tormentos.

Que seja poesia
a bílis negra que esconde a garganta
escorre em universo sem planetas na boca do estômago
as águas amplas sobre as quais não pairam o espírito de Deus.

Que seja poesia
o rastro de sangue da estrela cadente
que cruza o céu em interrogação cortante latente
e desaparece em completo poente.

Que seja poesia
o por-do-sol que queima a colcha de retalhos disforme
a tesoura que corta o fio de ouro, num golpe,
torcido, velho, opaco, fraco, torpe.

Que seja poesia...
Que seja poesia...
Que seja poesia...
Que seja poesia...

Um comentário:

Anônimo disse...

Que seja poesia...
minha visita ao seu blog
meu gostar do que escreve
o aleatório que confunde
o expresar do que sente (ou do que pensa?)
ou o expressar apenas
Que seja poesia!

Gostei.

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